Ensino profissional debatido em S. Romão, Serra da Estrela
A escola Evaristo Nogueira em S. Romão, Seia, Serra da Estrela, levou hoje a efeito o II Colóquio sobre o ensino profissional.
Letras do Alva marcou presença.
A sessão de abertura esteve a cargo da Directora Pedagógica da Escola, Isaura Alves, que deu as boas vindas aos presentes e teceu algumas considerações sobre o ensino profissional no concelho de Seia em particular e na CIM Beiras em geral, nomeadamente informou que há 1270 alunos inscritos nas escolas profissionais na região da CIM sendo que foram aprovadas 44 turmas, Existem na CIM Beiras onde pertence o Concelho de Seia 33 escolas com ensino profissional o que revela bem a crescente procura por estes estabelecimentos de ensino.
Isaura Alves solicitou à Câmara Municipal de Seia ali representada pelos
Srs. Vereadores Célia Barbosa e Mário Silva que a partir do próximo ano a
autarquia possa tomar uma posição diferente e inovadora que seria positiva para
todas as escolas que é realizar uma reunião de cortesia entre todas as escolas
publicas e privadas dando o exemplo do que se faz em Trancoso,
Isaura Alves apelou a que todas as escolas possam Trabalhar em equipa
independentemente de serem públicas ou privadas. "Não há necessidade de se
atropelarem umas escolas às outras,"
Temos de começar a olhar para os alunos como alunos e não como números,
Para debaterem e contribuírem com a sua experiência profissional a Escola convidou alguns empresários locais para darem o seu contributo ao painel superiormente moderado por Eduardo Ambrósio.
Contribuíram com o seu saber profissional, Elena Moura gerente da cadeia de supermercados Muito Menos, Paulo Cruz gerente da empresa Maquiseia e Sónia Jerónimo Managing Director na empresa Go-it Concept.
Antes dos empresários intervirem a palavra coube à Sr.ª Vereadora da Educação e Vice-Presidente da Câmara, Célia Barbosa, ao Vereador Mário Silva, a Paulo Pina Presidente da União de Freguesias de Seia, S. Romão e Lapa dos Dinheiros e a Vanessa Seabra representante da Associação de Pais da Escola Guilherme Correia de Carvalho que afloraram várias questões pertinentes que lançaram o debate na sala.
Segundo Célia Barbosa, Vice-Presidente da Câmara Municipal, "Os cursos profissionais têm de estar adaptados ao território e ao tecido empresarial local," Há uma grande falta de mão de obra qualificada no nosso Concelho, A Autarquia com as novas competências é responsável pela Manutenção do edificado, responsável pelo pessoal não docente que passaram a ser funcionários do município, além da responsabilidade dos transportes escolares e refeições escolares.
Concluindo, Célia Barbosa referiu que a "Realização pessoal e profissional dos alunos," deve ser a principal preocupação.
Para Mário Silva, Vereador, a
experiência que mais o enriqueceu foi o ensino profissional, porque conseguimos
criar e modificar a vida das pessoas, O ensino profissional está aquém
porque não há gente para trabalhar, "O grande problema é que não se
valorizam as profissões". "Temos de valorizar as profissões,"
É importante ter uma carteira profissional, trata-se de dar valor às pessoas,
Não há técnicos na área da electrónica, Não há jovens em Seia? Não é verdade.
Já Paulo Pina, Presidente da UF Seia, S. Romão e Lapa sublinhou que os Senenses são um "Povo resiliente e lutador" e que ele próprio é "um resultado do ensino profissional". O estudante quer aprender e fazer, Precisamos cada vez mais de gente que quer fazer,
Destacou ainda que a Escola Evaristo Nogueira tinha os dias contados há 2
anos atrás e deu a volta,
Terminou a sua intervenção dizendo "que é obrigação das autarquias estar
com os empresários".
Em suma, dos vários contributos para o "debate da mudança de paradigma" (chamamos nós), ressalvamos os seguintes pontos:
Ouvir os alunos e valorizar o território
Onde estão os alunos?Já ouviram os alunos? questionou Sónia Jerónimo lançando também o desafio e a necessidade de os empresários irem apresentar as suas empresas às escolas, nas salas de aula,
Compete a todos nós combater a visão muito redutora de valorização do território, Os estrangeiros acreditam em Seia, Dar à região tudo o que se aprende, Os stakeolders têm de estar todos envolvidos,
Temos de transportar Seia para fora
Outra ideia que surgiu foi a necessidade de criar uma incumbadora, onde empresários, autarquia, juntas de freguesia, ipss´,s, Associação empresarial, iefp, escolas públicas e privadas, alunos e pais possam estar mais envolvidos no futuro de cada um e da nossa região.
Neste ponto o moderador Eduardo Ambrósio criticou a associação empresarial que segundo ele deveria estar mais envolvida nestas organizações, dizendo mesmo que fez em tempos uma visita à Associação empresarial, nessa visita perguntou quantos associados tinha e ninguém sabia quantos associados tinha. Eduardo Ambrósio questionou a organização sobre qual a razão para a Associação empresarial não estar presente, Nesse seguimento uma empresa de consultoria de vinhos, sedeada em S. Romão há 3 anos, diz que nunca foi contactada pela associação empresarial para fazer parte como associada e referiu desconhecer o modo de intervenção desta Associação.
Vanessa Seabra, representante da Associação de Pais da Escola Guilherme Correia de Carvalho referiu que os pais desconhecem as acções que estão no mercado. Há também falta de informação sobre os cursos e deveria haver mais comunicação.
Do público também foram feitas algumas intervenções importantes pela voz de empresários, Dirigentes de IPSS´s, profissionais da área social e da psicologia.
Em suma, foi um Colóquio excepcional onde não faltaram contributos positivos para o futuro do ensino profissional, dos empresários, dos alunos e do Concelho de Seia.
Por: Luís Silva