O crescente descontentamento

Somos, com insistência, solicitados para escrever sobre "este ou aquele assunto" que muito incomoda as pessoas e cuja vontade de reclamar existe mas que, por receio, falta de prática em expor ou por comodismo ou conveniência, não tomam tal atitude.
Apercebemo-nos que o descontentamento cresce e cresce cada vez mais na sociedade senense, pelo menos no seio dos que mais sentem as situações e, para as quais, não há resposta e que se agravam. Falta, aos órgãos responsáveis, assumir as competências e tratar, como devem, os assuntos dos cidadãos.
À cidadania, é inerente um conjunto, mais ou menos amplo, de direitos e deveres. Porém, os deveres pouco lembram…
Pertence a todo os cidadão exercê-los, uns e outros, com seriedade e civismo, abstendo-se da "partidarite" fundamentando-se na vida democrática, no respeito e dignidade humanos e na justiça.
Os lamentos quanto à burocracia e lentidão, que reina nos serviços públicos, é uma constante. As críticas dirigem-se à ausência de proximidade ao cidadão, à certa ligeireza no atendimento, e quantas vezes ao pouco profissionalismo que é manifesto. Se quisermos, podemos-lhes adicionar, também, a baixa produtividade, o desperdício temporal e dos recursos e a inconsideração. Faltam quadros e quadros bons, intermédios, muito competentes. A pirâmide de alguns serviços inverteu-se, tendo a base tomado a posição do vértice das competências.
Para tantos quadros faltam soldados laboriosos, dedicados e eficientes. Alguém se ocupe de tratar destes problemas porque, como andam "certas coisas", "cheira" a desleixo, incapacidade e desperdício. Basta estar atento e apreciar como tudo se arrasta…
Estas situações de burocracia e de falta de resposta pronta e eficaz já transbordam e estão a afectar, gravemente, a nossa imagem. Há investidores desesperados. Esperam por resposta longamente… Insistem, mas sem resultados.
Queixam-se e não são ouvidos ou as queixas não são consequentes.
Continuamos a perder competências, capacidades e dinâmicas. Não, não são pequenos casos, mas casos sentidos e influentes.
Esperávamos dinamismo, atracção de investimento, incentivos, criação de riqueza, crescimento da economia, aumento de população… Mas a população decresce, há falta de mão-de-obra em certos sectores e actividades, o que qualquer cidadão sente e reconhece, não se concretizam novos investimentos, fazem-se festas, encontros, actividades de custos milionários, distribuem-se umas ajudas a certas entidades e instituições que, comparativamente com outras que ficam esquecidas, não são compreensíveis e cujos critérios nem serão transparentes. A Justiça é cega!…
A situação que por cá vamos tendo terá de ser repensada e ninguém pense que, nesta apreciação, reina qualquer outra intenção que não seja o bem da Terra, e exercício de um direito de cidadania e livre expressão…
Alcides Soares Henriques
