CÁ, ALÉM DA CHUVA, NECESSITAMOS DE NEVE.

10-02-2022

a OPINIÃO de Alcides Soares Henriques. 

Sem alarmismo, mas conscientes da grave situação, temos de nos preocupar com a seca que nos assola. Não é inédita, mas é muito, muito preocupante.

A agricultura, a pastorícia e a produção do queijo, e seus produtos de inegável importância para toda esta região, já estão irremediavelmente afectadas, sem esquecer o turismo de Seia.

Já nos bastariam estas preocupações e estes prejuízos...

Mas, a água para consumo doméstico, se não nevar, pode estar, e estará certamente, em causa. Constituirá uma das maiores restrições à vida de cada utilizador nos próximos tempos. Sem água não há vida.

As albufeiras da Serra da Estrela, que são a principal fonte de abastecimento dos concelhos desta região e dos rios Alva, Zêzere, Mondego e Seia, estão todas elas a atingir os níveis invulgares de esgotamento. Está, por isso, em causa o abastecimento de água do próximo Verão e, pelo menos, até à próxima época das chuvas e da neve que, em situações normais e habituais, terá início em fins de Setembro ou no mês de Outubro.

O que fazer perante este iminente risco de falta de água com a abundância a que estamos habituados?

Conhecemos a situação que poderá tocar-nos mas não sabemos, nem estamos alertados para as atitudes a observar e a respeitar. As entidades gestoras do abastecimento público da água nada disseram, nem ainda aconselharam, parecendo despreocupadas.

As comunidades precisam, porém, de tomar conhecimento real do problema e da sua dimensão. A primeira das atitudes seria a de dar orientações, sensibilizar as pessoas para um racional consumo, de modo a não utilizar água que não seja necessária, criando hábitos de poupança e boa gestão do maior bem à vida do ser humano. Adiar, à espera que chova, é a "política da avestruz". A seu tempo e, enquanto é tempo, as populações devem ser informadas sem alarmismos, nem dramas, mas com sentido pedagógico, societário e objectivo.

Não tenhamos dúvidas do desperdício de água que os nossos olhos facilmente detectam. Esta água, convenientemente represada numa situação de seca, séria e será muito útil.

Desperdiçámos a construção de uma albufeira que politicamente trocámos por um "prato de lentilhas" - uns tantos quilómetros de alcatroamentos de vias municipais, sob a justificação (patética) da sua influência negativa na alteração climática. Valha-nos alguém que nos proteja e defenda destas contrariedades que nos fazem sofre e sentir menosprezados, pequenos, insignificante, além de mal representados ou deficientemente defendidos. Todos estes responsáveis, cuja obrigação é tratar e alcançar os interesses do território, traíram-nos nesta missão / obrigação, certamente por omissão de resiliência ou outra que desconhecemos...

Basta-nos de hospitais transviados, onde a saúde desta gente não foi protegida como se deveria, ou de estradas urgentes continuadamente adiadas mas tão fundamentais para a economia, a mobilidade e acesso a outras regiões de que continuamos perto mas distantes, por isolados, e que, apesar de tudo, não tem a gravidade da sede de água que nos pode chegar.

Enfim, como temos sido mal tratados! E mal defendidos...

Não parece que haja nisto ameaça do susto que nos pode vir pela porta.

Os Senhores que mandam têm de trabalhar e demonstrar por esse bom trabalho o resultado tão fundamental às comunidades locais.

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