PORQUE NÃO SE DÁ OUTRA ATENÇÃO ÀS RAÍZES CULTURAIS MAIS POPULARES E AINDA VIVAS?
O orçamento concelhio, relativo à cultura, não é dos mais limitados da vida colectiva e financeira Senense. Uma boa parte é gasto em "cachets" de organizações de fora.
Mas será que os milhares de euros serão assim tão bem aplicados quanto os interesses e as necessidades do concelho de Seia?
A grande fatia está reservada aos festivais e aos grupos e organizações externas a Seia, que não repercutem, no território, senão uma ou duas horas de lazer, e levam o pecúlio.
A cultura e as tradições locais estarão a ser tratadas quanto as instituições precisam e as pessoas envolvidas têm jus?
Depende da sensibilidade e dos gostos...
Pela negativa, pesam no elenco cultural e recreativo do que algo diz à sociedade:
A ausência das Marchas de São João, tão motivadoras e mobilizadoras do povo, que, segundo consta, não se realizaram por tardio tratamento do assunto e, talvez, por ausência de motivação e ausência de resiliência de quem impulsiona a organização. Quem é o responsável por esta falha?;
Sabe-se que há colectividades, neste concelho, que devem a sua existência à insistência de tantas pessoas dedicadas, abnegadas, mais esquecidas, bem como por aquilo que fazem, fizeram e lutam pela continuidade e que não são apoiadas, como são outras, sem idênticas características. A injustiça que pode cometer quem decide, segundo os critérios, devem ser objectivos;
A agonia da Banda de Seia envergonha a terra e, sobretudo, as autarquias cuja última responsabilidade lhes assenta, especialmente pelo desinteresse a que tem votado um assunto indubitavelmente marcante da vida cultural desta terra;
Há exemplos de terras pequenas que lutam, desesperadamente, por manter viva a cultura, as tradições e também as suas Bandas Filarmónicas. Que grande exemplo temos no nosso meio mas não seguido, como devia, pela cidade.
Os executivos autárquicos, mas também a oposição, merecem dar aos amantes da cultura popular local e arte da música, o agendamento de esforçado empenho para restaurar ou fazer renascer aquilo que tem raízes profundas e dar nome a esta cidade, e cuja matéria prima até é abundante e de qualidade para o reerguer da Filarmónica de Seia.
Será que este tema não merece carinho e solução?
Não nos toca a agonia dela?
Será que todos se deram ao esforço e ao trabalho para resolver o problema?
Se o fulcro desta situação é o financeiro, então bastará ir reduzindo nos "cachets" das bandas, certames e dos grupos externos, que tantas vezes cobram bem sem cativarem a presença do povo, e aplicá-lo onde se justificará.
O caso deve ter tratamento com afinco e condignamente.
Seia exige e precisa!
por: Alcides Soares Henriques
