UM FLASH DO PAÍS. A “LOJA ESTÁ EM RISCO DE SER INVADIDA PELO ELEFANTE”
POR: Alcides Henriques
Três realidades preocupantes da vida do país vão-se avolumando. Um dia as consequências cairão sobre as nossas vidas:
O preço do barril do petróleo vem aumentando constantemente;
Este aturado aumento acarreta consequências: Encarece os transportes, sobe o preço das matérias primas, provoca o custo do produto final e dos bens que precisamos comprar isto é, o custo de vida. Até onde poderemos aguentar este agravamento do custo de vida por força dos preços dos combustíveis?;
A segunda realidade, à qual não se dá grande atenção nem causa ao cidadão grande preocupação, é o constante aumento da dívida pública. Só que estamos a viver com recursos externos e que teremos de restituir com juros.
O Governo não vai poder continuar a endividar-se de forma constante. A dívida vai parar um dia, sem deixar de ser paga e com juros. Estes, até hoje, têm sido mais baratos, mas esta situação estará próxima de se inverter. O agravamento da taxa dos juros será, pois, uma realidade que influenciará o nível de vida, a distribuição dos recursos no país e a disponibilidade dos meios do Estado;
A terceira realidade é a inflação, que já se nota em certos preços dos produtos que compramos. Porém, tudo indica que o aumento da inflação vai ser mais acentuado.
Quando estas situações confluírem sentiremos dificuldades maiores do que aquelas que hoje existem, mesmo sem contar com a Pandemia.
Não se podem desprezar, ainda, as consequências internas da Pandemia, as falências, o desemprego, os despedimentos, redução das receitas das contribuições sociais e dos impostos. O horizonte futuro é incerto.
O Governo vai precisar de mais recursos, só que eles serão, provavelmente, inferiores aos valores habituais, a não ser que a carga fiscal seja aumentada, o que não se exclui. Mais impostos é o que mais preocupa o cidadão.
Dir-se-á que vem aí a tal "Bazuca". Parece que vem, mas, como sempre, temos desperdiçado o bom aproveitamento destes meios, gastando-os sem criar riqueza, nem melhorar a vida económica, nem desenvolver o país. Descremos do resultado!
Temos de recear que a dita "Bazuca" se torne numa "iguaria" muito acessível a quem se vem banqueteando. É difícil para o investimento no interior. De qualquer forma, não resolve tudo sem o empenho da sociedade e a boa aplicação.
Os Portugueses são cidadãos que se deixam facilmente influenciar, até iludir, e aceitam, com resignação, muitas justificações que não deviam.
Falta cultura política e capacidade de afirmação.
Não temos hábitos exigentes, apesar de pensarmos o contrário. Em cinquenta anos de revolução democrática, deveria ser outra a dimensão económica ao país. Habituámo-nos a estender a mão, perdendo dignidade e a noção dos valores éticos da vida social e os seus princípios.
Não crescemos e estamos até a empobrecer.
A burocracia que impera faz desistir muitos.
Reduzimos (nalguns sectores) a produtividade, perdemos alguma capacidade de trabalho e força de produção. Com a falta de perspectiva ou melhores dias, ano após ano, a ineficácia já se instalou em muitos sectores.
Estamos a atingir o ponto de desnorte e até já não nos importamos, segundo estudo público recente, de aceitar um poder mesmo autoritário.
Mais que algum desânimo, é o descrédito da sociedade na causa pública, na democracia e nos valores e ideais que trouxeram a riqueza e bem estar.
Um povo que não assume, em mais de 50 %, a sua responsabilidade política votando, que confunde política com partidarismo, que suporta políticos incompetentes, pessoas com deficiente formação de dirigismo e que julga que os recursos, do país, são infinitos ou que o Estado lhe assegurará indefinidamente a sua subsistência económica e os fins sociais, mas que é mal atendido em muitos serviços e não reclama, está a abrir a porta da "Loja ao Elefante" de forma inconsistente, mas com consequências duras nos tempos futuros.
